A vida é muito curta, Abby Jimenez


Vanessa largou o emprego e decidiu viajar pelo mundo. O que ela não esperava era conquistar milhões de seguidores no YouTube. Em seu canal, Vanessa compartilha a rotina como youtuber e tem como lema viver todos os dias ao máximo. E isso não é apenas uma frase bonita: por conta de uma doença genética, sua mãe e sua irmã não chegaram aos 30 anos. Com medo de ter o mesmo destino, Vanessa quer aproveitar tudo o que puder, vivendo intensamente.

Tudo muda quando sua irmã deixa a filhinha sob seus cuidados. As aventuras dão lugar às tarefas maternas. A última pessoa de quem Vanessa imaginava receber ajuda era Adrian Copeland, o advogado que mora ao lado. Ela mal o conhece, ninguém a avisou que ele era ótimo com bebês — nem que acabaria passando tanto tempo em sua companhia. Apesar de terem personalidades muito diferentes, a convivência aproxima os dois.

Agora, Vanessa precisa lidar com os sentimentos que surgem a cada momento ao lado de Adrian. Ela quer viver intensamente, sem se apaixonar. Afinal, a única coisa pior do que se apaixonar por ele seria criar esperanças sobre um futuro que talvez ela nem chegue a viver. Mas será que não vale a pena correr o risco?

Peguei esse livro por recomendação da Miriam Mikaely. Na resenha dela, Miriam comentou que provavelmente se irritaria com a protagonista — e, conforme avancei na leitura, isso realmente aconteceu. Ainda assim, em nenhum momento tive vontade de abandonar o livro. Pelo contrário: a história é muito boa e aborda um tema extremamente importante.

A família de Vanessa é completamente desestruturada: um pai acumulador, um irmão que não procura emprego e uma irmã dependente química. Por ter uma boa condição financeira graças ao canal no YouTube, Vanessa tenta ajudar a família como pode. Mas o livro levanta uma questão difícil: o que fazer quando a família não quer ser ajudada?

O primeiro vídeo do canal de Vanessa fala sobre a ELA. A sigla significa Esclerose Lateral Amiotrófica, uma doença neurodegenerativa progressiva que destrói os neurônios motores, causando fraqueza muscular, atrofia, paralisia e perda de habilidades como falar, engolir e respirar. Não há cura, apenas tratamentos de suporte para melhorar a qualidade de vida. Sua mãe e sua irmã não passaram dos 30 anos, e, com medo de ter o mesmo destino, Vanessa decidiu viver cada dia como se fosse o último — mas a que custo?

Achei muito importante como a Abby Jimenez não romantiza a doença. Ela mostra o quanto a ELA afetou profundamente a família de Vanessa. A irmã mais nova, por exemplo, não herdou a doença, pois a mãe de sua irmã a deixou. Vanessa mas carrega o medo constante de também estar doente e se recusa a fazer os exames. Conforme Vanessa se aproxima de Adrian e começa a se apaixonar, o medo aumenta: ela teme o sofrimento que causaria a ele se a doença se manifestasse. Confesso que essa postura da personagem — de evitar consultas médicas, ir fazer os exames,  — me irritou bastante, especialmente por saber que o diagnóstico da ELA costuma levar meses para sair, após a exclusão de diversas outras possibilidades.

Esse livro me lembrou o caso do ator Eric Dane — conhecido por Grey’s Anatomy e Euphoria —, o que deixou a leitura ainda mais impactante.

A narrativa prende do começo ao fim. É emocionante acompanhar a evolução da família: o irmão amadurecendo, o pai buscando tratamento e deixando de ser acumulador, a irmã iniciando um processo de recuperação da dependência química. O relacionamento entre Vanessa e Adrian também é muito bem desenvolvido. Não é um livro com cenas hot — e, se isso não for algo que você procura, é uma ótima escolha.

Com certeza pretendo ler outros livros da Abby Jimenez. E me conta: você já tinha ouvido falar dessa história?
  1. Muito interessante o tema desse livro Sônia. Eu costumo me interessar por livros que incluem uma temática mais complexa (uma doença, por exemplo) onde a história se desenrola. E gostei bastante de saber que ele não tem cenas hot porque eu tenho me incomodado um pouco por cenas assim sendo inseridas em lugares onde eu acho que não precisava , sabe?
    Gostei muito da proposta do livro.

    Um abraço :)

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    1. confesso que eu também, tenho procurado livros onde o tema central pro livro andar não seja hot. isso tem me incomodado muito nas leituras , dependendo eu pulo tudo

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