A vegetariana, de Han Kang


Enquanto fazia uma pesquisa sobre esse livro, percebi que ele é descrito como um romance, mas, na minha visão, não o considero assim. Achei a história tenebrosa. A obra se divide em três partes: o marido, o cunhado e a irmã mais velha.

Assim que comecei a leitura, fui imediatamente envolvida pela trama. A Vegetariana chegou a ganhar o Prêmio Nobel de Literatura em 2024, embora tenha sido lançado em 2007 e voltado a ganhar notoriedade em 2016. O livro também ganhou prestígio ao vencer o International Booker Prize, retornando à lista dos mais vendidos naquele mesmo ano.

A história acompanha Yeong-hye, que deixa de comer carne após uma série de pesadelos, desencadeando consequências devastadoras em sua vida.

O livro faz parte do clube do livro Entreblogs, e essa foi a obra escolhida para leitura. Esta resenha contém alguns spoilers.

✪ alerta de gatilhos presentes na história: violência contra animais (gráfico), abuso e violência sexual, violência doméstica e machismo, transtornos alimentares e automutilação, abuso parental, suicídio e ideação suicida

A primeira parte, narrada pelo ponto de vista do marido, é fluida e permite conhecer melhor esse personagem. No entanto, ao longo da narrativa, ele admite que só se casou com ela por considerá-la desprovida de atrativos. Ele nunca sentiu paixão por Yeong-hye e, quando ela se recusa a voltar a comer carne, passa a repudiá-la e recorre aos sogros.

A segunda parte, narrada pelo cunhado, foi a que mais me causou desconforto. Na minha opinião, ele a enxerga apenas como um objeto sexual para sua arte. Não consegui compreender a origem de sua obsessão pela marca de nascença.

Após essa parte, senti vontade de abandonar a leitura, mas permaneci por curiosidade em relação ao desfecho. O irmão mais novo demonstra pouca empatia pela irmã, especialmente quando ajuda o pai a imobilizar Yeong-hye para forçá-la a comer carne.

Na última parte, a irmã mais velha de Yeong-hye sente-se culpada por não tê-la protegido. Ela percebe que a vida que construiu não corresponde ao que imaginava. In-hye está à beira de um colapso emocional. Confesso que me sensibilizei com a personagem, especialmente considerando que toda a família rompeu laços com as duas.

O livro é marcado por eventos traumáticos, nos quais a protagonista é constantemente alvo de agressões. Em nenhum momento ela se autodenomina vegetariana; são as pessoas ao seu redor que fazem essa suposição.

É uma obra que divide opiniões. Gosto de como o clube do livro me leva a conhecer títulos que provavelmente eu não leria por conta própria.
  1. Gostei muito da sua resenha e do alerta sobre os gatilhos desse livro. Esse livro me deixou tão mal e muito agoniada. Você disse algo muito interessante, que realmente em nenhum momento a Yeong-hye se rotula de vegetariana. Ela é totalmente objetificada, silenciada...
    Tô amando nosso clubinho de leitura do Entreblogs <3

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